Pós-Graduações: Língua e Tradução

Nova Pós: Ensino de língua estrangeira e uso de novas tecnologias( Inglês e Espanhol) www.ugfpos.com

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Certificado Internacional de Ensino de Inglês e Uso de Novas Tecnologias

Começa no Brasil um novo curso de Pós-graduação em:

Ensino de Língua Inglesa e Uso de Novas Tecnologias

DUPLA CERTIFICAÇÃO: Certificado de Pós-graduação lato sensu no Brasil e Certificado Internacional de Professor de língua inglesa da Bridge, reconhecido pela ACCET e pelo Ministério de Educação dos EUA. Com bolsa de trabalho no exterior.

A UGF conta com alguns dos melhores professores de língua inglesa. Curso único no Brasil!

Módulos:

Língua inglesa em nível avançado: Estudo da gramática inglesa em nível avançado e práticas do vocabulário escrito e falado no mundo anglo-saxão, pelos renomados professores John Whitlam e Stephan Hughes, para professores e profissionais da língua.

Formação de professores: Módulo em parceria com a Bridge (órgão que credencia professores de língua inglesa no mundo inteiro) que trabalha a didática e prepara o aluno para ensinar a língua inglesa em qualquer lugar do mundo. Inclui bolsa de trabalho em diversos países. Diploma reconhecido pela ACCET e pelo governo dos Estados Unidos.

Uso de novas tecnologias no ensino de língua: Módulo dedicado ao uso das novas plataformas de ensino de língua, às ferramentas de interação com o aluno, ao uso das redes de relacionamento, dos vídeos e animações em sala de aula. Em suma, tudo o que é preciso para entrar na nova era do ensino interativo.

As aulas ministradas na faculdade de São Paulo são transmitidas ao vivo pela internet, com imagem e som em tempo real. As mesmas vantagens da aula presencial: interação com os professores e os alunos durante as aulas, possibilidade de tirar as dúvidas ao vivo, com a vantagem de poder organizar seu horário de estudo, rever as aulas quantas vezes quiser, tirar as dúvidas pelo chat com o professor, interagir nos fóruns com os alunos (presenciais e EAD) e não ter de se deslocar até a universidade.
*Não há diferença entre os certificados dos cursos presenciais e à distância, conforme determina a legislação vigente.

Cidades e datas de início

Aulas à distância: Transmissão ao vivo pela internet das aulas ministradas na faculdade de São Paulo. Início: 02 e 03/04/2011 Horário: Sábado e domingo, das 8h às 18h, uma vez ao mês

Aulas presenciais:
Rio de Janeiro - UGF Unidade Candelária, início 26/03/2011. 2 sábados ao mês.

São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Horário: Sábado e domingo, das 8h às 18h, uma vez ao mês.

Mais informações sobre o curso no site http://www.ugfpos.com.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Landelius, el traductor

EL PAÍS, 07 diciembre, 2010 - 08:00 - Juan Cruz

Hace algunos años, acaso en mitad de las discusiones que la Academia Sueca dirimía sobre los candidatos al principal premio literario del mundo, un diplomático entusiasta que entonces aún ejercía ese trabajo por el mundo, Peter Landelius, terminó de leer en su español perfecto La fiesta del chivo, saltó de su sillón, se fue a la mesa y escribió una reseña apasionada de esa gran novela de Mario Vargas Llosa que publicó de inmediato en un periódico sueco. Entonces lo llamaron de la editorial Nordstedts, que ya publicaba a Mario, y le pidieron que, ya que le había apasionado tanto ese libro, por qué no lo traducía al sueco. Lo hizo; y luego tradujo todo lo que Mario ha venido publicando, hasta El sueño del celta, que lleva por la página doscientas y pico. Ya él era traductor, y fue porque su mujer, Nancy, lo había introducido de casualidad en ese mundo raro de poner en palabras propias los sentimientos que otro ha narrado en una lengua distinta. Era traductor, diplomático, filántropo capaz de convertir en sopa sueca la nada de una nevera si un amigo tenía hambre en Estocolmo... Con la pasión que tiene por la vida, que ahora despliega en Chile, Landelius siguió traduciendo a Vargas Llosa, y anoche el Nobel, a punto de ser entronizado en Estocolmo, acudió a una cena muy simpática en la casa de sus editores suecos, y en el capítulo de gratitudes, el Nobel, que es memorioso para las cosas verdaderamente importantes, puso en un lado muy alto de su lista a Peter Landelius. Mientras Mario hablaba yo estuve mirando el rostro de este sueco grande, y muy grande, y al tiempo estuve fijándome en el de su mujer Nancy; en ambas caras vi la satisfacción de un trabajo que a veces queda en la oscuridad de los títulos de crédito. Que Mario haya resaltado esa labor pone de manifiesto lo que Mario sabe que vale el traductor de la obra literaria y, además, pone de manifiesto la fidelidad que Vargas Llosa conserva hacia aquellos que le han hecho el escritor internacional que es. Lo celebran hasta el delirio, pero él jamás se envanece ni pierde el sentido del ritmo interior que distingue su personalidad. Este homenaje a su traductor es, en cierto modo, parte del retrato que se merece Mario Vargas Llosa.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

As aulas da Pós em Tradução já estão na internet


Você  pode assistir às aulas da Pós-graduação em Tradução pela internet, ao vivocom imagem e som em tempo real, 1 final de semana por mês, e interagir nas aulas fazendo suas perguntas pelo chatNão há diferença entre os certificados dos cursos presenciais e à distânciaconforme determina a legislação vigente.
diploma universitário é de ESPECIALISTA EM TRADUÇÃO, reconhecido pelo MEC e aceito nos meios educacionalempresarialem instituições públicas, Abrates e Sintra.
Práticas das mais variadas áreas de traduçãotécnica,  literária e de legendagem de filmes(área com grandes oportunidades de trabalho), além do estudo de língua estrangeira em nível avançado com os melhores profissionais de língua inglesa e espanhola do país.
No nosso site http://www.ugfpos.com estão os vídeos com alguns de nossos professores.
Práticas remuneradas de tradução em agências parceiras.
Os cursos também podem ser feitos por móduloscom diploma de extensão.
Para informação das próximas turmas, visite http://www.ugfpos.com

 anos consecutivos formando tradutores.
 Departamento de Língua e Tradução da UGF
Pós-graduação em Tradução de Espanhol e  Inglês
Tel. (21) 3442-0754  (21) 3442-0756

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Taller de traducción al español: principales dificultades

NSTITUTO CERVANTES DE SÃO PAULO

Taller de traducción al español: principales dificultades
Ponente: José Luis Sánchez. Profesor y coordinador del posgrado de Traducción del Español de la UGF. 
Doctor en Filología Portuguesa y Teoría de la Traducción, licenciado en Traducción e Interpretación (Universidad de Barcelona), traductor de Cervantes, Machado de Assis, Lima Barreto, José de Alencar, Clarice Lispector, Vinicius de Moraes, Lygia Fagundes Telles etc., autor-director de 5 diccionarios de portugués-español-portugués.


Este taller está dirigido a traductores, profesores o estudiantes de español con un nivel avanzado. En él se presentarán ejercicios de traducción con textos de autores brasileños, en los que se trabaja con las principales dificultades léxicas, sintácticas y culturales que se dan en la traducción entre la lengua castellana y la portuguesa.

Fecha: 26 de noviembre, viernes, de 17:30 a 19:30

Precio: Asistencia gratuita. (solicitar hoja de inscripción para formalizar
la participación a través de los correos-e: informasao@cervantes.es
<http://difusionelectronica.institutocervantes.es/control/?a=jbj3XCoCR2cboIp
Ef46qwIABGa7NEooVdb6stum7PH57GtEnZnezaHm0Sn7m-SmM.html
> ;
censao@cervantes.es
<http://difusionelectronica.institutocervantes.es/control/?a=jbj3XCoCR2eyZSj
iBE1GwwkXMM87lb8fKhNaJzOoGodcyLxhmhDtIGZppZ4l/miC.html
> ;
recepcao@cervantes-brasil.com.br
<http://difusionelectronica.institutocervantes.es/control/?a=jbj3XCoCR2dXT1M
u8ILR1ifNRtrpbuMdcFiq8wFir9FIS2EaXw3G-xEquUTRvOuU5vMqUPKlxUg_.html
> ).

Se cobrará una tasa de R$10,00 a los interesados en obtener certificado.

Instituto Cervantes de São Paulo
Av. Paulista, 2.439 - 1º andar - Bela Vista
CEP: 01311-300 - São Paulo/SP
Telefone: 55 11 3897-9606 / Fax: 55 11 3064-2203

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Entrevista realizada por Patrícia Santana, com o professor Eric Nepomuceno.


O professor da Pós-graduação em Tradução da Universidade Gama Filho, da disciplina de Práticas de Tradução Literária, é duas vezes premiado com o Jabuti de Tradução, tradutor dos principais autores contemporâneos da literatura hispânica: Gabriel García Márquez, Eduardo Galeano, Juan Rulfo, Julio Cortázar, Jorge Luis Borges etc., autor de 14 livros, jornalista dos principais diários hispânicos e brasileiros.

Eric, como é traduzir uma obra como O Jogo da Amarelinha, de Julio Cortázar?
            Na verdade eu acho que todo livro é diferente um do outro, senão a gente ia ficar no samba de uma nota só e a vida ia ser meio chata. Eu traduzi mais de 50 livros e sem a menor sombra de dúvidas O Jogo da Amarelinha é o mais difícil de todos; e entre esses todos, eu quero lembrar que eu traduzi Juan Rulfo, traduzi uns 7, 8 livros de García Márquez, alguns contos de Cortázar do livro As armas Secretas, traduzi uns 15, 16 livros do Eduardo Galeano, que é muito bom de ler, mas muito difícil de traduzir, em suma, eu posso passar todos eles em revista e nunca foi tão difícil como Rayuela - O jogo da Amarelinha. É uma coisa meio difícil de eu explicar, mas pra mim o mais difícil até hoje, até esse livro, nunca era propriamente dificuldade técnica, muitas vezes eu tinha barreiras e dificuldades afetivas, que são as piores, porque eu lembrava do autor, autores que foram meus amigos. Basicamente eu traduzo por afeto, eu não sou um tradutor, eu sou um escritor que traduz. Já taduzi livros de pessoas que eu não conhecia, mas que tinha alguma ligação. Quando eu fiz 60 anos em 2008, a minha editora, que é a Luciana Villas Boas, da Editora Record, me deu dois presentes de aniversário provocados pelo meu filho Felipe, que é documentarista. Um foi uma antologia pessoal dos meus contos e o outro foi traduzir O jogo da Amarelinha, uma nova tradução. Esse é um dos poucos livros que eu a cada dois, três anos releio, não todo ele, evidente, mas trechos, capítulos são coisas que me emocionam muito e o Cortázar era uma pessoa que me emocionava profundamente. Ele foi das pessoas mais cálidas e carinhosas que eu já conheci. Traduzir pra mim é você ver a paisagem por dentro, você tem de entrar na paisagem. Em vez de você estar na janelinha do trem vendo a paisagem, você está na paisagem vendo o trem passar, vendo você na janelinha. Este é um trabalho extremamente minucioso. De vez em quando eu entro no ritmo.

Até o momento você já encontrou algum obstáculo nesta tradução da obra do Cortázar?
            Até o momento... eu estou há um ano... mais! Estou há um ano e meio traduzindo e eu já encontrei 426 obstáculos por capítulo (risos). Todos os obstáculos que você possa imaginar! (risos). Mas é sempre um prazer! Eu pretendia ter entregado o livro em fevereiro de 2010, aí eu fiz um novo acordo com a Record, que tem uma paciência comigo que nem minha avó materna tinha, e eu pretendo entregar até o final do ano (2010) de tal forma que ele possa ir ano que vem (2011).
Você sempre diz que só traduz amigos. Qual é a importância desse grau de proximidade com o autor no seu trabalho?
            Eu digo que só traduzo amigos pra impressionar as moças... (risos) é verdade. Eu já traduzi pessoas que eu nunca vi na vida ou pessoas que eu conhecia muito superficialmente. Agora o que eu sim insisto e aí é sério, é que eu só traduzo coisas do meu universo, coisas que me importam, que tem a ver com a minha vida, com a minha maneira de ver o mundo, com a minha maneira de entender o ser humano, com a minha ideologia. Eu já recusei traduções de obras que eu posso até gostar, mas que "não fazem parte do meu show".
Dentre as muitas experiências que você tem, conta pra gente uma cômica e uma prazerosa.

            Prazerosa: todas! E sempre que eu acabo um livro, eu acho que esse prazer superou o anterior, aí,só pra concluir, eu acho que o prazer de verdade vai ser no próximo. Agora, cômica... tem um sem-fim ! Os erros que eu cometo traduzindo são infinitos... alguns eu pego, outros eu só pego depois de pronto. (risos)Traduzindo Horacio Quiroga, para você ver como esse mundo é injusto, eu fiz uma contribuição enorme pra biologia, pra zootecnia, e principalmente para o estudo específico da cobra coral. O que diz o Quiroga: o camarada está andando no mato e pisa em algo blanduzco[algo mole], dá um pulo pra trás e vê que esse algo blanduzco é uma cobra coral. Eu li "blancuzco"[esbranquiçado] (risos). Essa é uma obra muito elogiada e eu reivindico pra mim porque o verdadeiro mérito é zootécnico e eu fui o provador que existe "cobra coral albina" (muitos risos). Com o Galeano, eu tenho uma por livro. A gente briga palavra por palavra... eu traduzo Galeano há 35 anos, e a gente diz assim: - Eduardo, isso não funciona em português. - Eric, o livro é meu! - Eu sei, mas a tradução é minha! - Sim, mas o texto é meu! E ele ganha sempre... (risos) E eu quero deixar claro que ele sempre ganha não de maneira decente, nem por razões técnicas, mas sim porque ele é meu "irmão" mais velho; e eu, como irmão mais velho lá em casa, lembro o que eu fazia com minhas irmãs... (risos) então eu acato por medo e não por convencimento (muitos risos). Com o García Márquez eu tive um incidente que foi muito engraçado. Na época do fax, eu mandei um fax pra ele com algumas palavras que eu tive muitas dúvidas, que eram dúvidas pertinentes, porque eram palavras que podiam ter um sentido ou outro que cabiam perfeitamente, só que aí o conto ia adotar um tom mais triste ou um tom mais irônico. Então eu mandei pra ele várias questões e ele respondeu dizendo o seguinte:- ¡Vete al diccionario! Quer dizer: "vá ao dicionário". Eu fiquei furioso, porque eu nunca consultei ele (sic) pra nada, porque eu sei que ele odeia... Eu fiquei tão furioso, que eu peguei o fax dele, fiz uma fotocópia e mandei de volta dizendo assim embaixo: Eu fui ao dicionário várias vezes, agora, ¡vete a la mierda! (muitos risos). Mandei um Prêmio Nobel à merda. Aí, na semana seguinte a gente se falou ao telefone, ele ria, ria. No Viver para Contar, que é o livro de memórias dele, ele falou: - E aí, como foi a tradução? - Foi, muito legal, muito bom...dificuldade nenhuma... porém tem uma coisa: tem uma hora que você fala, "quando menino, você voltava da escola com seus cuadernos de calella"... - Não, eu não digo isso. - Sim, você diz isso. Procure aí.- Quem é que está ligando?- É você, Gabo.-  Ah, sou eu? Então eu posso gastar, você é pobre, você não pode (risos). Vamos procurar! Aí eu entrei no computador, vi a página, falei pra ele, ele viu também e disse:- É mesmo... eu falei isso... Como é que você traduziu? - Cadernos de calella. Porque eu fiquei pensando: é caderno quadriculado, é bloquinho de notas... Aí ele disse:- Então ficou em português...? - Caderno de calella - respondi. - Legal, soa bem, e o que quer dizer isso em português? Eu falei:- Nada!- Ui, que alívio! Porque em castellano também não! Eu não tenho ideia porque eu usei isso! (risos)    
Ping-Pong: defina com uma palavra ou frase o que estas palavras (conceitos) representam para você:
famíliasou muito unido aos meus irmãs e irmãos. Meu filho é, de longe, a melhor coisa que fiz na vida. Espero ter conseguido com ele o que tive com meu pai: ser amigo. E tenho a mesma namorada há 40 anos.
amigosmeu maior patrimônio.
profissãonão tenho profissão, tenho ofício: escrever.
trabalhomelhor mais que menos.
felicidadeàs vezes, existe.
Você como um grande tradutor, que dicas tem a deixar para a nova geração de tradutores?
            Não sou grande tradutor. Traduzo por afeto, e por isso mesmo me empenho o máximo possível. E mesmo quando traduzo por curiosidade, o empenho é o mesmo. A dica é respeitar e ser leal ao texto, ao autor e, claro, ao nosso idioma. E, por favor, em tradução literária, jamais fazer duas coisas; a primeira: tentar melhorar o texto do autor e facilitar o trabalho do leitor; e a segunda: jamais, nem debaixo de tortura, usar asterisco e pé de página.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Meu casamento de conveniência

Meu casamento de conveniência 
 
A começos do ano de 2005, após inesperados trancos e barrancos, apertado com problemas financeiros e avaliando possíveis saídas, tomei uma das mais importantes decisões da minha vida. 
Decidi casar, mais por necessidade financeira do que por convicção. 
Arranjar uma esposa que estivesse disposta a me manter, não era uma tarefa fácil. Um homem maduro, solteirão convicto e sem muitas posses, não desperta entusiasmo. 
As candidatas, como era de esperar, não foram muitas. Acabei escolhendo uma moça chamada Tradução, quem, para minha surpresa, topou a parada, e aceitou. 
Foi um casamento quase 100% de conveniência. Ela e eu sabíamos disso. 
Forçado pelas circunstâncias, aprendi a conviver com Tradução, a respeitá-la e a apreciá-la sinceramente. 
De seu lado, ela soube compreender meu modo de ser, que não é fácil, e conseguiu se adaptar à sua nova vida. Passaram-se os dias, semanas e meses. De tanto conviver com Tradução, acabei gostando dela. E, milagre, gosto dela cada vez mais! 
Dizem os franceses que existem duas categorias de homens: os que casam com a mulher  que gostam, e os que gostam da mulher com a qual casam. Os segundos, concluem eles, provavelmente são mais inteligentes, vivem mais e são mais felizes.
                                                                                        (Gonzalo G. Acquistapace)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O mercado das traduções

‘‘A pessoa tem que ter domínio completo do idioma, com um grande vocabulário de palavras que mudam constantemente’’, orienta a tradutora Viviane Ribeiro

Curitiba - O domínio completo de um segundo idioma facilita experiências interculturais, reforça o currículo e pode também se tornar uma profissão. De acordo com a assessoria de imprensa do grupo All Tasks, o mercado de serviços multilíngues faturou US$ 23.267 bilhões em 2009 nos Estados Unidos e na Europa, o que representa um acréscimo de 55% em relação ao ano anterior.

No Brasil, o mercado da tradução ainda tem espaço para crescer, pois é novo. A tradutora Viviane Ribeiro, que atua também como professora há 30 anos na Aliança Francesa, em Curitiba, explica que há campo para os que querem se dedicar à profissão, mas diz que é preciso muita disciplina: ''A pessoa tem que ter domínio completo do idioma e isso inclui um grande vocabulário. É preciso ter em mente que a língua sempre evolui e as palavras mudam constantemente''.

Entre os livros já traduzidos pela professora Viviane Ribeiro estão nomes como A Benção de Prometeu,de Michel Lagrée; As Mulheres ou Os Silêncios da História, de Michelle Perrot, e A Sociologia de Nobert Elias, de Nathalie Heinich. Ela também traduziu para o francês o documentário Beyond Ipanema, do jornalista brasileiro radicado em Nova York, Guto Barra. Viviane conta que o pagamento varia conforme o número de páginas e a urgência do trabalho.

Segundo a assessoria de imprensa do grupo All Tasks, os tradutores ganham por lauda (1.200 caracteres sem espaço) e por isso quanto mais produzirem, mais poderão lucrar. ''Trata-se de uma questão de experiência e capacidade de concentração'', ensina.

A professora do Centro de Línguas Positivo (CLP), Maria Carolina Marino Vivacqua, acredita que o campo de trabalho é vasto, mas a profissão ainda é pouco reconhecida. Ela explica que ser tradutor ''exige muito trabalho e pesquisa, pois é preciso entender o contexto ao qual o material se destina''. Maria diz ter facilidade com a língua inglesa por ter sido alfabetizada nos Estados Unidos. Ela conta, ainda, que fez especialização em tradução pela Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro e que, desde então, muitas portas se abriram. Maria traduziu para o inglês o livro Guia Essencial de Curitiba e defende o princípio de que ''um bom tradutor não traduz apenas palavras, mas também conceitos e ideias''.
A professora Paola Andri, que dá aulas de italiano no Centro Europeu, em Curitiba, conta que os valores para tradução variam conforme o cliente e o tipo de material a ser traduzido. O preço por página pode irde R$ 30,00 a R$ 60, sendo o preço mais alto para o caso de tradução técnica. ''A área mais carente em Curitiba é a de tradução simultânea, cujo pagamento gira em torno de R$ 150,00 a hora''.



15/09/2010Folha de Londrina - Londrina - PR

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Os Desafios da Tradução

Ela esbanja sorriso e simpatia. Atenciosa, a professora Fabiana Camargo tem mestrado em Literatura e fala um pouco sobre os desafios de ser um tradutor-revisor e o que fazer para não ser apenas mais um no mercado.


BLOG: Qual o maior desafio de um tradutor-revisor?

FABIANA:
          O tradutor que também se formou como revisor é um profissional extremamente exigente com seu texto final, com a qualidade textual de seu trabalho. Seu maior desafio é produzir um texto impecável, que prescinda de outros olhos revisores. Esta é uma prática extremamente arriscada que o tradutor trabalha sob pressão de prazos, e as chances de erro são muito grandes.
            Enquanto a maioria dos tradutores está mais voltada para a qualidade tradutória propriamente dita, o tradutor que é revisor ou escritor é mais detalhista, mais cuidadoso com a língua portuguesa; entre ele e o texto há uma espécie de namoro, mas, com isso, ele pode levar mais tempo para finalizar um trabalho. Um bom profissional de tradução sabe que ambos os aspectosqualidade tradutória e qualidade textual – devem ser sempre considerados na feitura de um bom trabalho.

BLOG: O que é mais difícil: tradução técnica ou literária?

FABIANA:
                Sem dúvida, a tradução literária é a mais complexa de todas porque, em geral, este tipo de tradução envolve um conhecimento de mundo muito maior, mais ligado às culturas e à História. O tradutor literário universaliza a obra original no momento em que a insere noutra cultura e transcende os limites de sentido e geográficos. Na boa literatura entram inúmeras referências históricas e culturais que, quando não reconhecidas pelo tradutor, não pesquisadas devidamente ou até suprimidas, podem comprometer seriamente o entendimento da obra original.
            Mas, se alguém me pedir para traduzir um manual de medicina ou de informática, vou achar extremamente difícil porque, claro, não é minha área. As traduções não literárias que fiz não são traduções técnicas, mas as assim chamadas de “não-ficção”: de enciclopédias, de filosofia, arte, artigos, de entrevistas etc. Cada uma tem sua peculiaridade e seu grau de dificuldade. O tradutor deve procurar descobrir a área com que possui mais afinidade, de acordo com seus interesses e conhecimento de mundo. Agindo assim, ele terá muito mais chance de fazer um bom trabalho.
            Para os que desejam traduzir literatura, sugiro que comecem pela tradução de ficção comercial, pelos famosos best-sellers, que não necessariamente constituem um gênero menor, basta conferir a série Harry Potter, ou a trilogia de Stieg Larson em Os homens que não amavam as mulheres.

BLOG: O que dizer para um tradutor iniciante para que ele seja bem sucedido no mercado?

FABIANA:
            Antes de tudo, ele tem de conhecer muito bem e estudar a sua língua materna, a língua de chegada, para a qual está traduzindo a obra. Não basta saber a língua estrangeira, a língua de partida. Ele também precisa conhecer bem a língua e a cultura do país estrangeiro que está traduzindo, e, sobretudo, especializar-se em tradução.
            Conhecer as ferramentas, os programas, as diferentes modalidades de tradução. Na época de Monteiro Lobato, por exemplo, quando a tradução dava ainda seus primeiros passos, não se exigia tanta profissionalização, mas hoje, ninguém começa traduzindo um grande autor e nãomais espaço para amadorismo.
            Seja por meio de uma pós-graduação lato sensu como a nossa, seja por cursos stricto sensu, de mestrado e doutorado, o tradutor deve buscar aprimorar-se, pois o mercado está absorvendo e exigindo profissionais cada vez mais capacitados. E, uma vez conseguida a primeira oportunidade de trabalho, deve cumprir os prazos indicados pelo editor