Pós-Graduações: Língua e Tradução

Nova Pós: Ensino de língua estrangeira e uso de novas tecnologias( Inglês e Espanhol) www.ugfpos.com

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O mercado das traduções

‘‘A pessoa tem que ter domínio completo do idioma, com um grande vocabulário de palavras que mudam constantemente’’, orienta a tradutora Viviane Ribeiro

Curitiba - O domínio completo de um segundo idioma facilita experiências interculturais, reforça o currículo e pode também se tornar uma profissão. De acordo com a assessoria de imprensa do grupo All Tasks, o mercado de serviços multilíngues faturou US$ 23.267 bilhões em 2009 nos Estados Unidos e na Europa, o que representa um acréscimo de 55% em relação ao ano anterior.

No Brasil, o mercado da tradução ainda tem espaço para crescer, pois é novo. A tradutora Viviane Ribeiro, que atua também como professora há 30 anos na Aliança Francesa, em Curitiba, explica que há campo para os que querem se dedicar à profissão, mas diz que é preciso muita disciplina: ''A pessoa tem que ter domínio completo do idioma e isso inclui um grande vocabulário. É preciso ter em mente que a língua sempre evolui e as palavras mudam constantemente''.

Entre os livros já traduzidos pela professora Viviane Ribeiro estão nomes como A Benção de Prometeu,de Michel Lagrée; As Mulheres ou Os Silêncios da História, de Michelle Perrot, e A Sociologia de Nobert Elias, de Nathalie Heinich. Ela também traduziu para o francês o documentário Beyond Ipanema, do jornalista brasileiro radicado em Nova York, Guto Barra. Viviane conta que o pagamento varia conforme o número de páginas e a urgência do trabalho.

Segundo a assessoria de imprensa do grupo All Tasks, os tradutores ganham por lauda (1.200 caracteres sem espaço) e por isso quanto mais produzirem, mais poderão lucrar. ''Trata-se de uma questão de experiência e capacidade de concentração'', ensina.

A professora do Centro de Línguas Positivo (CLP), Maria Carolina Marino Vivacqua, acredita que o campo de trabalho é vasto, mas a profissão ainda é pouco reconhecida. Ela explica que ser tradutor ''exige muito trabalho e pesquisa, pois é preciso entender o contexto ao qual o material se destina''. Maria diz ter facilidade com a língua inglesa por ter sido alfabetizada nos Estados Unidos. Ela conta, ainda, que fez especialização em tradução pela Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro e que, desde então, muitas portas se abriram. Maria traduziu para o inglês o livro Guia Essencial de Curitiba e defende o princípio de que ''um bom tradutor não traduz apenas palavras, mas também conceitos e ideias''.
A professora Paola Andri, que dá aulas de italiano no Centro Europeu, em Curitiba, conta que os valores para tradução variam conforme o cliente e o tipo de material a ser traduzido. O preço por página pode irde R$ 30,00 a R$ 60, sendo o preço mais alto para o caso de tradução técnica. ''A área mais carente em Curitiba é a de tradução simultânea, cujo pagamento gira em torno de R$ 150,00 a hora''.



15/09/2010Folha de Londrina - Londrina - PR

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Os Desafios da Tradução

Ela esbanja sorriso e simpatia. Atenciosa, a professora Fabiana Camargo tem mestrado em Literatura e fala um pouco sobre os desafios de ser um tradutor-revisor e o que fazer para não ser apenas mais um no mercado.


BLOG: Qual o maior desafio de um tradutor-revisor?

FABIANA:
          O tradutor que também se formou como revisor é um profissional extremamente exigente com seu texto final, com a qualidade textual de seu trabalho. Seu maior desafio é produzir um texto impecável, que prescinda de outros olhos revisores. Esta é uma prática extremamente arriscada que o tradutor trabalha sob pressão de prazos, e as chances de erro são muito grandes.
            Enquanto a maioria dos tradutores está mais voltada para a qualidade tradutória propriamente dita, o tradutor que é revisor ou escritor é mais detalhista, mais cuidadoso com a língua portuguesa; entre ele e o texto há uma espécie de namoro, mas, com isso, ele pode levar mais tempo para finalizar um trabalho. Um bom profissional de tradução sabe que ambos os aspectosqualidade tradutória e qualidade textual – devem ser sempre considerados na feitura de um bom trabalho.

BLOG: O que é mais difícil: tradução técnica ou literária?

FABIANA:
                Sem dúvida, a tradução literária é a mais complexa de todas porque, em geral, este tipo de tradução envolve um conhecimento de mundo muito maior, mais ligado às culturas e à História. O tradutor literário universaliza a obra original no momento em que a insere noutra cultura e transcende os limites de sentido e geográficos. Na boa literatura entram inúmeras referências históricas e culturais que, quando não reconhecidas pelo tradutor, não pesquisadas devidamente ou até suprimidas, podem comprometer seriamente o entendimento da obra original.
            Mas, se alguém me pedir para traduzir um manual de medicina ou de informática, vou achar extremamente difícil porque, claro, não é minha área. As traduções não literárias que fiz não são traduções técnicas, mas as assim chamadas de “não-ficção”: de enciclopédias, de filosofia, arte, artigos, de entrevistas etc. Cada uma tem sua peculiaridade e seu grau de dificuldade. O tradutor deve procurar descobrir a área com que possui mais afinidade, de acordo com seus interesses e conhecimento de mundo. Agindo assim, ele terá muito mais chance de fazer um bom trabalho.
            Para os que desejam traduzir literatura, sugiro que comecem pela tradução de ficção comercial, pelos famosos best-sellers, que não necessariamente constituem um gênero menor, basta conferir a série Harry Potter, ou a trilogia de Stieg Larson em Os homens que não amavam as mulheres.

BLOG: O que dizer para um tradutor iniciante para que ele seja bem sucedido no mercado?

FABIANA:
            Antes de tudo, ele tem de conhecer muito bem e estudar a sua língua materna, a língua de chegada, para a qual está traduzindo a obra. Não basta saber a língua estrangeira, a língua de partida. Ele também precisa conhecer bem a língua e a cultura do país estrangeiro que está traduzindo, e, sobretudo, especializar-se em tradução.
            Conhecer as ferramentas, os programas, as diferentes modalidades de tradução. Na época de Monteiro Lobato, por exemplo, quando a tradução dava ainda seus primeiros passos, não se exigia tanta profissionalização, mas hoje, ninguém começa traduzindo um grande autor e nãomais espaço para amadorismo.
            Seja por meio de uma pós-graduação lato sensu como a nossa, seja por cursos stricto sensu, de mestrado e doutorado, o tradutor deve buscar aprimorar-se, pois o mercado está absorvendo e exigindo profissionais cada vez mais capacitados. E, uma vez conseguida a primeira oportunidade de trabalho, deve cumprir os prazos indicados pelo editor